Hoje me peguei pensando que quando a gente é criança quer
crescer e quando cresce, quer voltar a ser criança.
Quando a gente é criança fala o que sente, sente muito mais
do que deve e chora sem medo do que irão falar. Cria poemas de amor, sonha com
contos de fada, chora com o beijo do filme e sente um desejo desenfreado de
gritar esse sentimento que é tão intenso.
Quando a gente cresce sente tudo com a mesma intensidade,
ama, sonha, chora, mas existe um sentimento comedido que tem que ser
trancafiado por causa da sociedade, do que vão dizer, o que irão pensar.
O mundo esta cheio de adultos sentimentalistas que se
trancam no quarto e choram e choram e choram seus sentimentos retraídos, suas lágrimas
engolidas, suas dores, suas feridas, tudo trancado em quatro paredes.
Existe um limite pra ser você quando você cresce. O mundo
te analisa, observa, julga e recrimina. Antigamente era considerado como grandes poetas os
que conseguiam expressar seus sentimentos, hoje parte da sociedade define como 'infantil' quem exprime o que sente.
As mídias sócias, a internet, a modernidade, a tecnologia que iriam ajudar a mostrar ao mundo pessoas que expressam seus intensos sentimentos, enfia o dedo na sua cara, como se tivesse autoridade, discriminando sua capacidade de se expressar em palavras belas, te colocando como 'criança' por expor a sociedade seus sentimentos, seus momentos.
Na boa o mundo me cansa! Cansa saber que não posso ser quem
sou e ter que me esconder em uma face oculta de mim mesmo, um pseudônimo, um heterônimo,
uma máscara que me oculte e ao mesmo tempo me permita ser quem sou e quem eu
gosto de ser.
Ser apenas eu mesmo sem medo de me mostrar, sem pessoas pra
me julgar e entre versos e palavras me expor ao ridículo de amar. Mesmo que esse sentimento tenha me transformado em uma personalidade
distante de mim, ainda que me faça chorar um imenso pranto.
Quero na boca o gosto de sentir esse algo tão especial que não
posso guardar, pelo simples fato de não caber em mim. Pra saber como é bom
chorar ouvindo um som e se despedaçar nos pensamentos, e mudanças das escolhas
da vida e no final sorrir por saber que, de algum modo, ainda posso amar o que
sou, amar como sou e ser feliz no meu canto sozinha.
Por Mary M. A.
